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(Crédito da foto: www.santoscity.com.br)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

SOBRECARGA SENSORIAL E SÍNDROME DE IRLEN: COMO CONVIVER COM ISSO???

Por: Débora Rossini

Oooopa! O post que segue foi publicado originalmente na minha fanpage "Driblando e Vencendo a Síndrome de Irlen", e ''re-postado" aqui, com algumas adaptações e pequenas modificações.  ESTE TEXTO É UM POUQUINHO GRANDE, MAS VALE LER ATÉ O FINAL!!!! :-D :-D :-D

O lance é o seguinte: eventualmente, vejo depoimentos de internautas (muitas vezes adultos!!!) que possuem Síndrome de Irlen severa e, mesmo tendo sobrecarga sensorial (a ponto de fazer a pessoa passar mal!), ainda assim mantém o hábito de participar de eventos situações e atividades nos quais tem muita aglomeração, agito, barulho, excesso de luzes, sons, cheiros, gritos, etc.

Aí a pessoa participa do evento/passeio/atividade, e depois passa o dia seguinte inteiro extremamente cansada, sem querer conversar com ninguém, altamente esgotada, e se arrastando para fazer as obrigações cotidianas que não vão deixar de aparecer em sua frente por conta do seu cansaço.


Fico pensando: É realmente NECESSÁRIO ISSO? É algo imprescindível? (do tipo "se não for, perco meu emprego"?? Sim ou não??) 
Tais pessoas, mesmo sendo adultas experientes, que conhecem seus organismos, insistindo em se colocar nestas situações causadoras de sobrecarga sensorial... o que as leva a se sacrificarem tanto? 

-Medo de serem tachadas de "bicho do mato" e "antissocial" por parentes, colegas e amigos, que normalmente participam de tais eventos??? Pressão da família e amigos para irem nesses lugares???? 

-Incompreensão de família, amigos e colegas, mesmo quando as pessoas com Síndrome de Irlen explicam, reexplicam e "tre-explicam" que não dão conta de sairem 'inteiras e felizes' de certas comemorações, confraternizações, festas, agitos, shows, etc?? 

-Ou outro motivo que não listei?????

Eventos , atividades e situações que podem trazer prazer pra maioria, podem trazer aborrecimento, estresse e até mesmo mal-estar físico para quem tem sobrecarga sensorial, um sintoma experimentado por muita gente com Síndrome de Irlen severa.


MEU PONTO DE VISTA SOBRE O ASSUNTO: 

O importante é conhecer ao máximo seus limites, e não ficar tentando agradar ninguém sobre ''ir ou não ir" a tal lugar - uma vez que depois,  será VOCÊ  quem vai ficar cansado, sem energia, desgastado, enquanto as outras pessoas estarão tranquilamente tocando suas vidas normalmente!!!! Isso pode parecer difícil para uma pessoa bem mais jovem, que ainda está em busca de identidade e de se entrosar com a 'galera' - mas, à medida em que os anos vão passando e a gente vai ganhando experiência de vida e amadurecendo, a gente vai mudando... Nossas prioridades vão mudando... e se perceber que uma determinada situação vai lhe trazer mais estresse do que prazer/diversão/felicidade, não vá! É direito seu!!! Se o povo te chamar de bicho-do-mato e outros adjetivos similares, azar o dele, kkkkk! As pessoas com Síndrome de Irlen tem seus próprios ritmos, seus próprios limites, embora também suas próprias qualidades... Sem mais!!! ;-)

Ter energia para fazer as tarefas cotidianas, com equilíbrio, e sem se sentir esgotado(a) vale, na minha opinião, muito mais do que ALGUMAS HORAS de festa com muito barulho e agito que trará, na sequência, uma semana sem pique, para tentar recuperar a energia. Se as pessoas sem Irlen - ou sem nenhuma outra necessidade especial - não entendem isso, é porque ainda falta muuuito para aprenderem a lidar com as diferenças e com a diversidade humana. 
Então, se as pessoas sem Irlen (sobretudo as mais jovens) têm uma energia inesgotável para participar de uma festa atrás da outra, viajar constantemente todo fim de semana ou feriado - e ainda ter pique para encarar as obrigações no dia seguinte, para fazer uma tarefa que exige grande concentração em poucas horas (que pra quem tem Síndrome de Irlen pode levar um dia inteiro ou mais), bom para elas! :-D 

E mais uma dica para você que TEM a Síndrome de Irlen: não deixe isto afetar a sua aceitação (ou não) de ter uma diferença de percepção do ambiente, devido a um problema de visão de origem neurológica... Pense o seguinte: "Posso 'perder' muita coisa que as pessoas 'ditas normais' costumeiramente fazem... mas, por outro lado, conheci pessoas e situações incríveis que talvez nem teria experimentado se eu não fosse, digamos, "bugadinho(a) das vistas", hahaha!!!!  
E é com a diversidade humana que temos essa riqueza de habilidades e vivências que, em conjunto, faz com que todos os seres humanos possam dar sua contribuição para este planeta! =D

OBS.1 : Em situações causadoras de sobrecarga sensorial que não estejam relacionadas a círculos de família ou amigos - mas sim de atividades de escola, faculdade ou mesmo profissionais -, você pode (E DEVE, SE SENTIR NECESSÁRIO), apresentar seu laudo médico do Hospital de Olhos, atestando que tem Síndrome de Irlen e que esteja especificado o efeito da Sobrecarga Sensorial, a fim de obter dispensa da atividade. Senão, de que adianta você comparecer a ela, mas depois ter baixa produtividade na faculdade ou trabalho o resto da semana??? 

Obs.2) Uma vez uma pessoa me perguntou se a sobrecarga sensorial experimentada por quem tem Síndrome de Irlen severa seria na mesma intensidade de quem tem Autismo/Asperger ou se é menos intensa. Respondi o seguinte: "Olha, como leiga eu não sei, mas... por um lado, pode ser mais branda, mas por outro lado pode ser igual ou até mesmo mais intensa, dependendo do grau de Síndrome de Irlen que a pessoa tiver. O que acontece é que as pessoas com Autismo mostram, externamente, os incômodos - através de maneirismos, gritos, movimentos agitados ou choro- já que não possuem ''filtro" para distinguir e assimilar adequadamente o comportamento aceito socialmente ou não. Já as pessoas com Irlen têm noção do que se pode mostrar socialmente e o que acha melhor esconder para evitar discriminação. Assim sendo, SENTEM os incômodos, mas não vão sair gritando nem se agitando fisicamente... mas SOFREM POR DENTRO e se manifestam por indisposição física e mental, baixa produtividade nas tarefas, nervosismo, etc." (P.S.: Se alguém que entende do assunto quiser deixar sua opinião na seção de comentários, vou ficar MUITO GRATA!!! )  

E VOCÊ, o que pensa disso? Comente abaixo! Fique à vontade, a ''casa" é sua, haha! ;-)


TECNOLOGIAS ASSISTIVAS: Abrindo portas no mercado de trabalho

Por: Débora Rossini 

Ooooopa! Este post estava sendo planejado há um tempão, mas só agora que saiu, kkkk! Custou, mas foi! Ele trata da questão das novas Tecnologias Assistivas, e as atividades profissionais desempenhadas por pessoas com deficiência - mostrando como as Tecnologias Assistivas podem ajudar pessoas com algum tipo de deficiência, necessidade especial a fazer coisas diversas... e que, sem elas, teriam que aceitar o (chato) fato de não poderem estudar ou trabalhar - ficando às margens da sociedade produtiva e ficando ociosos em casa, recebendo auxílio financeiro do governo ou aposentadoria por invalidez (no caso de pessoas que adquiriram deficiência ao longo da vida). 

Há cerca de alguns meses atrás, ficou bastante conhecido o caso ocorrido em uma empresa de transporte particular de passageiros, em que o motorista era surdo sinalizado. Para quem não lembra do caso, vamos lá: um rapaz e alguns amigos pegaram um carro da referida empresa, chamando-o por meio do aplicativo - e quando ele chegou, se surpreenderam com o fato de que o motorista era surdo sinalizado. Mesmo não podendo ouvir, o motorista fez direitinho o serviço como qualquer outro condutor - graças ao fato de ele estar fazendo uso, no serviço, de um app no qual toda a comunicação era escrita, e de ter uma aplicação que indicava a rota necessária. Os passageiros ficaram tão surpresos, que decidiram, ali mesmo, pesquisar no Google (através de seus smartphones, certamente) como se fala ''Obrigado!" em Libras, para poderem agradecer ao condutor quando descessem! E assim o fizeram. O motorista ficou muito feliz. Posteriormente, um desses rapazes que eram passageiros da referida viagem relatou esse fato em seu facebook, e o post viralizou na época
O motorista, muito feliz, agradeceu emocionado, e a história foi parar em vários sites de notícias!!! :-D 

Este é um dos casos em que se pode exemplificar, perfeitamente, como as novas tecnologias (sejam elas de uso geral ou especificamente assistiva) podem possibilitar a inserção de pessoas com deficiência na sociedade e no mercado de trabalho - de forma a maximizar sua eficiência nas tarefas a serem desempenhadas e minimizar o isolamento (de comunicação) entre elas (quando se trata de alguma deficiência sensorial que interfira nessa habilidade)! 
Há também outras situações que as tecnologias ''unem" as pessoas com e sem deficiência: 

- CEGOS: Antes, sua escrita estava limitada ao uso do alfabeto Braille, e, para serem entendidos em seus textos e mensagens (e, então, poder haver troca de textos escritos entre videntes e cegos) os videntes (ou seja, pessoas que enxergam) acabavam tendo, obrigatoriamente, que aprender a ler e escrever em Braille! Caso contrário, tinham de recorrer a um transcritor Braille (profissional que faz a transcrição de um texto Braille para o alfabeto convencional e vice-versa) que nem sempre estava disponível no momento. Hoje em dia, com os softwares leitores de tela, cegos e videntes podem, com a maior facilidade, com o uso de um computador, trocarem mensagens de textos, compartilhar emails e textos escritos diversos, relatórios, etc. 

-CADEIRANTES - Antes, era difícil ingressar ou retornar ao mercado de trabalho em profissões que, tradicionalmente, exigem que a pessoa fique de pé para realizar certas atividades (ex: ser professor/a na educação básica). Hoje, com cadeiras de rodas especiais, pode-se realizar tal tarefa - escrevendo na lousa, rodando pela sala, passando de carteira em carteira de cada aluno, etc. Veja que interessante o caso desta professora aqui .  

Estes são exemplos de três casos que demonstram muito bem o importante papel das tecnologias assistivas como ''turbinador'' das capacidades de uma pessoa com deficiência, minimizando as limitações impostas pelas condições físicas e sensoriais... Mas existem muitos outros casos em que tais tecnologias abrem um grande universo de possibilidades profissionais para pessoas com deficiência, podendo fazer inúmeras tarefas em seus cotidianos profissionais... Se fizer uma busca no Google, dá para você encontrar muitas outras histórias bem legais, que merecem ser lidas e compartilhadas! =) 

E então... O mercado de trabalho está aí, e dá para ver que há SIM, possibilidades para que a pessoa com necessidades especiais tenha condições de executar uma atividade laboral, valorizando suas habilidades e respeitando suas limitações!!! 

Cabe agora às empresas, e empregadores diversos, RECONHECEREM os talentos que os profissionais com deficiência possuem, e FAZER VALER a Lei de Cotas sem ''enrolar" e afirmar falsamente que ''a vaga está preenchida" ou que "a vaga não é para o seu perfil" (sem motivo real para tal afirmação). 


ALÔ, EMPREGADORES!!! ALÔ, PESSOAL DO RH!!! ALÔ, QUAISQUER PESSOAS QUE PRECISAM DE CONTRATAR PROFISSIONAIS PARA O SEU NEGÓCIO!!! Bóra dar uma chance para os profissionais talentosos, com necessidades especiais, também??? Vale lembrar que, justamente por serem pessoas que diariamente enfrentam desafios de viver em um mundo "não- feito para elas", de terem de lidar com adversidades, de terem de se adaptar e reinventar constantemente para conseguirem fazer as tarefas diárias, e terem de superar e dar a volta por cima de situações geradoras de incompreensão, tais indivíduos acabam por serem mais tolerantes a adversidades, mais criativos, e que geralmente ''não se abalam por qualquer coisinha boba". Tais características são pontos fortes que ajudam muito na lida diária do mercado de trabalho, não é??? Então...! Aproveitem!!!!