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(Crédito da foto: www.santoscity.com.br)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Audiodescrição em Eventos Culturais: Tão importante e tão escassa!

Por: Débora Rossini

Ooooopa! O post de hoje é para falar sobre um recurso de acessibilidade chamado Audiodescrição. Ele permite que pessoas cegas e de baixa visão tenham acesso a apresentações de teatro, dança, exibições de filme, exposições em museus, etc. O papel do audiodescritor é exatamente traduzir, para a pessoa com deficiência visual, o conteúdo visual das apresentações/exposições. Imagine um cego todo empolgado com o lançamento de ''Star Wars- O Despertar da Força'', ou então de ''Deadpool'', e podendo assistir aos filmes juntamente com seus amigos? Então: é isso que a Audiodescrição pretende proporcionar, hehehe!!! 

Pode parecer ''supérfluo'' eu estar assinalando a importância da acessibilidade cultural e de entretenimento - enquanto ainda se tem questões sérias de falhas de acessibilidade em atividades essenciais e básicas tais como estudo, trabalho e locomoção, e que estão pendentes. Maaas... 

 - Vocês concordam comigo que pessoas com deficiência visual que tenham, também, acessibilidade em eventos culturais e de lazer, acabam sendo pessoas que terão mais informação, mais senso crítico, maior sensibilidade artística? 

- Ou, pelo menos, concordam que seriam pessoas que teriam um opção a mais de distração, para relaxar a cabeça dos contratempos cotidianos? (e cá pra nós, vida de pessoa com deficiência visual tem hora que é estressante, hehehe). 

- Ou então, concordam que a audiodescrição (e a consequente maior acessibilidade) proporcionaria à galera cega e com baixa visão maior sensação de estar ''por dentro'' do que os colegas, amigos e familiares veem? (sem ter aquela sensação de que está num ''universo paralelo''?)

Pois é. Sendo assim, uma vez que as pessoas com deficiência visual tenham acesso aos mesmos filmes/apresentações/exposições que as pessoas videntes, elas terão mais ASSUNTO PARA CONVERSAR com quem enxerga -facilitando, assim, a integração/interação social de cegos e videntes, minimizando a discriminação e isolamento de quem não enxerga (ou que enxerga mal)...  

(Imagine a seguinte situação: um cego estuda ou trabalha em uma equipe na qual os colegas curtem, de montão, filmes e séries. Na hora do intervalo, enquanto a galera estará toda empolgada conversando sobre a mais nova série que foi lançada, o filme que está bombando nos cinemas, etc, o cego vai ficar ''boiando'' -  pois, sem audiodescrição, não terá acesso a estas produções artísticas. E aí ele vai ficar é num canto, isolado, enquanto os colegas conversam animadamente. Tá aí um exemplo de isolamento, de barreira para conseguir fazer amizades, não é?) 

Querendo saber um pouco mais sobre essa ferramenta de acessibilidade (afinal, eu já tinha lido algo, mas queria saber mais coisas) , fiz a seguinte postagem no Facebook, para que os internautas me respondessem: 
''#‎MeSentindoCuriosa‬ 
DÚVIDA... ALGUÉM PODERIA ME RESPONDER? 
Sabe-se que existem recursos de audiodescrição para cinemas - porém em poucos locais tem este recurso no Brasil. Inclusive em muitas cidades que são capitais, não há disponibilidade deste recurso. Lendo sobre o assunto, vi que há a necessidade de alguém gravar as vozes com a descrição, fazendo uma edição no vídeo a ser exibido. 
Enquaaaanto esse tipo de recurso não se torna disponível na esmagadora maioria das salas de cinema, fiquei com uma dúvida:Existem serviços de audiodescrição, feitos por pessoas, ao vivo, disponíveis para algum deficiente visual que precisar? Por exemplo: uma pessoa com deficiência visual quer ir com a galera ver um determinado filme. Haveria a possibilidade de ele entrar em contato com, por exemplo, uma pessoa habilitada para tal tarefa, em sua cidade, e, no dia e horário combinados, o audiodescritor estar lá, sentar perto da pessoa com deficiência visual (tomando cuidado para não incomodar os demais espectadores) e então fazer o serviço localmente, sob demanda?''

Vários internautas deram respostas bem interessantes no fórum de discussões (para acessá-lo, clique aqui) !!! Inclusive uma internauta, Mirian Rebeca, que trabalha com audiodescrição, me deu a seguinte resposta, em um texto bem didático e explicativo - e que reproduzo aqui com a autorização dela)! 
''Olá Débora. Na verdade temos alguns assuntos na sua pergunta. Primeiro vamos falar sobre a questão de como a AD (áudio-descrição) pode ser feita no caso de um vídeo (cinema, curta, etc). 
Gravada: o áudio-descritor faz um roteiro com o que é pertinente descrever no vídeo. Depois há uma locução desse roteiro que ele mesmo pode fazer ou outra pessoa habilitada e por último uma mixagem (edição) dessa locução com o som do vídeo. 
A outra forma é um áudio-descritor assistir ao vídeo, fazer um roteiro de apoio e lê-lo ao vivo. 
E a outra forma é quando um áudio-descritor nunca assistiu ao filme e faz a AD simultaneamente. Ele tem que ser "fera" ou topar fazer isso. Não é qualquer um que consegue. 
Aí entra outra questão. Os recursos para se fazer essa AD ao vivo ou simultânea, que são as que você sugere. 
No caso de cinema existe sim a situação de incomodarmos as pessoas ao redor. Eu fiz AD de um casamento em que uma pessoa que estava assistindo ao casamento (a mãe da noiva) é cega. Financeiramente não tínhamos recurso e só descobriram esse recurso em cima da hora. Eu fiquei num local da igreja do qual eu conseguia ter uma boa visão e não atrapalhasse as pessoas e fiz uma ligação telefônica gratuita (promoção de Vivo para Vivo) para o celular que a mãe tinha dentro de sua bolsinha, Eu estava com um microfone em headset para ficar com as mãos livres e a mãe estava com fone de ouvido conectado ao celular. Acredite, ficou legal...rsrsrs Sabíamos os riscos que corríamos de não termos qualidade ou a ligação cair, mas deu certo! 
No cinema pode-se fazer algo parecido. O áudio-descritor ficaria em poltrona sem pessoas próximas (se isso fosse possível) e fazer a ligação com os recursos que citei de fone e microfone. Ele não pode falar baixinho porque vira um sussurro. Existe um acessório que chama abafador de voz. É muito engraçado, mas ele não atrapalha às pessoas em volta. Existe um sistema no qual o áudio-descritor fica com um transmissor de rádio e qualquer pessoa com um celular com fone de ouvido e aplicativo de rádio, pode captar a sintonia da AD. O áudio-descritor tem que ter esse equipamento e o celular é da pessoa que quer ouvir. 
Agora vamos à ultima questão. Você sabe que para se fazer uma áudio-descrição tem-se que estudar diretrizes relativas às obras ou imagens que serão áudio-descritas. Acredito que seria muito interessante existir um banco de dados de áudio-descritores que poderiam ser encontrados por proximidade para fazer esse e outro tipo de áudio-descrições sob demanda. Um exemplo. Uma pessoa cega quer fazer compras em um shopping. Saber tudo o que vai surgindo para ela ficar à vontade para comprar. Poderia contratar os serviços de um áudio-descritor por esse banco de dados. A demanda existe tanto para a situação que você sugeriu quanto para muitas outras.''

Excelente esclarecimento, não é verdade, galera?? Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho da Mírian, o link para contato é este. 

Interessante, não? Porém, infelizmente a oferta de Audiodescrição ainda é escassa! Veja esta reportagem que mostra que apenas em algumas cidades de grande porte existe este recurso (e muitas vezes, em situações pontuais e olhe lá.)  A esmagadora maioria das capitais brasileiras não tem, só para você, leitor, ter uma ideia! :-/ Clique neste link para ler. 

Acredito que, pelo fato de terem poucos cursos de formação de Audiodescritores no Brasil, acaba tendo um número reduzido de profissionais para atenderem à demanda - daí o fenômeno da escassez de oferta do recurso.

Caso você tenha ficado curioso(a) em saber mais sobre o tema, e acompanhar novidades e atualidades sobre este assunto, não deixe de conhecer o Blog da Audiodescrição (o link é este). Ou então o site Audiodescrição, cujo link é este e que mostra, inclusive, exemplos de vídeos e trechos de filmes audiodescritos! ;-) 

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

PERGUNTAS FREQUENTES DOS INTERNAUTAS, SOBRE SÍNDROME DE IRLEN !!!

Por: Débora Rossini 

Oooopa! Frequentemente, recebo em minha fanpage ''Driblando e Vencendo a Síndrome de Irlen'' perguntas sobre este problema oftalmológico. UAU!!! Show de bola, né? Sinal de que a fanpage está cumprindo o papel dela, de informar para as pessoas sobre um distúrbio de visão tão pouco conhecido e que pode ser altamente impactante para o paciente, se não for tratado, né? 

Noto que diversas perguntas são frequentes entre os internautas! Para facilitar a vida de quem está ''peregrinando pelas informações'' (hehehe) resolvi fazer este post - com uma lista das dúvidas que ''mais aparecem'' nos espaços destinados a comentários e nas mensagens recebidas inbox! Veja se sua dúvida (enquanto paciente ou pai/mãe de um) consta aqui! 
(Caso não conste, é só enviá-la na seção de comentários, hehehe! Mas primeiro, por gentileza, verifique se sua dúvida já está respondida neste post! Ok? ) 
NOTA: ESTE POST ESTÁ SUJEITO A ACRÉSCIMOS/ATUALIZAÇÕES. Se eu perceber que tem uma pergunta legal, que lembrei e que ficou de fora da lista (ou se eu receber alguma pergunta interessante de algum internauta), vou atualizando o post, colocando-a aqui juntamente com as que já estão. Portanto, fique sempre atento às atualizações e novidades nesta página, caro leitor! :-) 

Bom, vamos lá. Já publiquei esta lista na minha fanpage, e agora estou re-publicando aqui no blog (para possibilitar o acesso àquelas pessoas que não têm ou não usam o Facebook, hehehe) 

-- ''LI NA INTERNET ALGO SOBRE A SÍNDROME DE IRLEN E ACHO QUE TENHO OS SINTOMAS. ONDE ENCONTRAR UM PROFISSIONAL QUE FAÇA O DIAGNÓSTICO, A FIM DE PROPORCIONAR TRATAMENTO?" 

R: Na ferramenta encontrada no link abaixo, vc pode encontrar o profissional mais perto de onde você mora. Os profissionais habilitados a fazer esta triagem obtiveram a certificação em um curso de capacitação fornecido pela Fundação H.Olhos - e a formação acadêmica deles pode ser tanto na área de saúde (oftalmologia, fonoaudiologia, psicologia, etc) quanto na área de educação (pedagogos, por exemplo.)  ;-) Na linguagem técnica, são chamados de ''Screeners''. O link para encontrar o nome, endereço profissional e telefone de um Screener é este: http://fundacaoholhos.com.br/profissionais/  . Depois de clicar, aí vai aparecer um mapa do Brasil na página. Clique no seu Estado; aí vai aparecer um menu no canto esquerdo da página; selecione então a cidade de seu interesse; e clique no botão PESQUISAR. Então, aparecerá a lista com os dados dos profissionais mais perto de você. =)

***NOTA DE CORREÇÃO: Todas as atividades de formação, captação e relacionamento com a Rede de Screeners é de responsabilidade da Fundação H.Olhos - e não do Hospital de Olhos, como dito anteriormente.(O Hospital de Olhos NÃO fornece curso técnico.  Ele presta assistência oftalmológica aos pacientes.)
Notem que ambas as organizações mencionadas acima pertencem aos mesmos donos, mas encarregam-se de atividades diferentes, e que se complementam!!! 

-- ''ONDE ADQUIRIR OVERLAYS PARA LEITURA?" 

R.: Entre em contato com o(a) Screener com o qual vc faz acompanhamento. Você poderá obter através dele. Lembrando que, para vc obter uma overlay, necessita ter passado pela triagem e diagnóstico, para ver qual a tonalidade mais adequada para vc (tonalidade errada pode piorar o problema! ) 

-- ''RECEBI DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME DE IRLEN. COMO DEVO PROCEDER PARA SABER SE PRECISO USAR ÓCULOS PARA CORRIGIR O PROBLEMA?

R.: Primeiramente, é importante destacar que CADA CASO DA SÍNDROME DE IRLEN É UM CASO. Existem casos em que este problema de visão ocorre isoladamente, mas existem situações em que há co-morbidades (ou seja, o mesmo paciente apresentar outros problemas, sejam de visão ou até mesmo de outra natureza - tais como TDAH, Dislexia, outros distúrbios de aprendizagem, outros quadros clínicos, etc.)

Sendo assim, partindo do SEU diagnóstico realizado com o (a) Screener que detectou a S. de Irlen em você, converse com ele(a) - e veja se realmente necessita de óculos com lentes filtrantes (que são recomendados apenas para os casos mais graves.) 

Os casos mais leves são contornados com o uso de overlays (lâminas especiais de acetato, coloridas) para ler, papeis coloridos/reciclados para escrever, ajustes na tela do computador (diminuição do brilho da tela e recursos de acessibilidade que permitem alteração da cor de fundo e tamanho da letra) e uso de óculos de sol comuns em ambientes externos (principalmente.) Existe um aplicativo para navegação na internet, gratuito e que é extensão do Google Chrome, que ajuda MUITO pessoas com Síndrome de Irlen a usarem o computador! Veja mais sobre ele, chamado WebHelp, neste link aqui

Caso haja a recomendação para usar os óculos, você deve se dirigir ao Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, no qual se fazem exames oftalmológicos que atestam ou não a necessidade de usar os óculos. Eles possuem lentes filtrantes, com coloração que varia de paciente para paciente, dependendo da intensidade da Síndrome de Irlen que a pessoa possui. Para marcar consulta, veja os telefones de contato na página deles. Ou se quiser marcar online, utilize esta ferramenta, neste link
Importante salientar que, em caso de comorbidades da S. de Irlen com outros distúrbios, os recursos assistivos mencionados (sejam eles overlays, papeis de coloração diferente, recursos de acessibilidade computacionais, óculos, etc) irão atenuar apenas OS SINTOMAS RELACIONADOS À SÍNDROME DE IRLEN.  Os outros quadros clínicos que atuam em comorbidade serão atenuados/corrigidos por meio de intervenções específicas para eles. Exemplos: acompanhamento pedagógico/fonoaudiológico para ajudar nos sintomas de Dislexia; acompanhamento especializado para corrigir TDAH; e por aí vai... Caso você não tenha ''nada'' em comorbidade com a SI, então, seu acompanhamento vai ser mais de natureza oftalmológica mesmo. :-) E, claro, tem direito aos recursos de acessibilidade visual na escola ou trabalho, caso você ainda não tenha atingido a correção completa da SI com os óculos ou overlays... ;-)
Continuando com as perguntas & respostas:

-- "Sou pai/mãe de uma CRIANÇA com Síndrome de Irlen, mas recebi recomendação de que, mesmo com os óculos, ela siga seu acompanhamento com pedagoga/psicopedagoga e outros profissionais. E ela só tem Síndrome de Irlen, sem nenhuma comorbidade. Como se explica isso, então?? 

Resposta:  Como este texto foi escrito pensando majoritariamente em jovens e adultos, então, realmente, procede o fato de que ''a intervenção é mais de natureza oftalmológica mesmo".  MAAAS, em se tratando de CRIANÇAS, você tem toda RAZÃO em sua colocação!!! É que, no caso de crianças, que ainda estão em fase de crescimento, ajuste, adaptação, e trazem consigo inúmeras defasagens de competências de habilidades de leitura, escrita e aprendizagem (relacionados à sua ''vida antes dos óculos"), então elas fazem acompanhamento pedagógico sim - mas é para ''correr atrás do prejuízo", até que ela, aos poucos, fique com um rendimento próximo ao das crianças de suas idades e séries escolares, e possam futuramente, ter mais autonomia sem auxílio profissional, hehe. 🙂 Já no caso de Dislexia e outras comorbidades, aí, sim, o acompanhamento profissional costuma ser permanente, porque, vira e mexe, aparecem disciplinas novas, exigências diversas, e aí novas estratégias necessitam ser criadas para atender às demandas do momento, nas diversas etapas de suas vidas! 😃 

-- ''QUAL O VALOR ($$) DOS ÓCULOS PARA CORRIGIR SÍNDROME DE IRLEN? " 

R.: O valor dos óculos vai depender do tipo e quantidade de filtros que serão necessários para colocar nas lentes destes. Pelo fato de os filtros não serem fabricados no Brasil, o preço dos óculos é um pouco ''salgado'' :-P ... Segundo uma internauta seguidora lá da minha fanpage, me parece que o valor está, agora no início de 2016, no mínimo, entre uns 800 e 1400 dólares (para saber o valor em reais, é só fazer a conversão das moedas. ;-)  ) 

-- ''COMO OBTER OS ÓCULOS PARA SÍNDROME DE IRLEN? ''

R.: Se você recebeu a recomendação de usar os óculos, através do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, no referido estabelecimento você receberá as orientações. Resumidamente, você comprará na óptica de sua confiança a armação dos óculos de acordo com as especificações que você receberá em papel impresso; aí é só fazer as lentes com grau, caso necessite, de acordo com as orientações dadas. 

Então, leve os óculos ao Hospital de Olhos JUNTAMENTE COM A NOTA FISCAL DOS ÓCULOS (NÃO ESQUEÇA DELA, ''PELAMORDEDEUS'', senão eles não serão aceitos, hehehe!) , e a instituição encaminhará os óculos para um laboratório especializado nos EUA. Quando ficarem prontos, voltarão para o Brasil endereçados para o Hospital de Olhos. Aí, o estabelecimento entrará em contato com você. Caso more em Belo Horizonte ou região, é só ir lá buscar... se mora longe, eles enviam pelos Correios, via Sedex a cobrar. As despesas referentes ao envio dos óculos para os EUA, para colocar os filtros de Irlen, serão especificadas pelo Hospital de Olhos. 

--" COMO CONSEGUIR O TRATAMENTO CUSTEADO PELO GOVERNO?? SOU DE BAIXA RENDA E NÃO TENHO CONDIÇÃO FINANCEIRA PARA CUSTEAR CONSULTAS + ÓCULOS DE SÍNDROME DE IRLEN... E ISSO PIORA QUANDO A PESSOA NÃO MORA EM BELO HORIZONTE OU REGIÃO, POIS TEM DE PAGAR, AINDA, VIAGEM E ESTADIA PARA FAZER AS CONSULTAS NO HOSPITAL DE OLHOS EM BELO HORIZONTE. E O SUS NÃO COBRE SÍNDROME DE IRLEN. O QUE FAÇO??''

R.: Lancei a pergunta num grupo do Facebook sobre Síndrome de Irlen, já que não soube responder... Agora adquiri a resposta através de uma mãe de paciente, que está passando pelo processo.

Funciona assim: 
Primeiramente, o que precisa fazer é ir à secretaria municipal de saúde de seu município, levando o laudo do Hospital de Olhos que atesta a necessidade do uso de óculos e o retorno anual (cujos custos são consultas + óculos + viagem e estadia em BH). Aí eles tiram uma cópia do laudo, fazem uma avaliação e então dão um retorno, se o pedido foi deferido ou indeferido.

E quando o pedido é indeferido? (Geralmente, alegam que a prefeitura não tem verba para custear um tratamento tão caro.) 
Aí, deve-se fazer o seguinte, segundo a internauta que respondeu a pergunta:

''Bem.... Eu tentei MP mas não consegui, então procurei a defensoria pública, a qual montou todo o processo. Laudos, exames tudo q tiver.... Pediram uma avaliação de um médico q atendesse na rede pública para constar q esse tratamento é feito apenas em BH. Assim, acionaram a secretaria municipal de saúde a qual recusou pois não tem tratamento pelo SUS, daí eles mandaram pro juizado dá infância e juventude.[quando o paciente é de menor]."

Minha observação: Quando o paciente é de maior, me parece que aí entra com um mandado de segurança, desses destinados ao público adulto mesmo, para conseguir o tratamento - em vez de encaminhar pro juizado da infância/juventude. Geralmente, nesses casos, (como ocorre com pacientes de outros problemas de saúde), costumam pedir comprovação de renda do paciente, alegando que não tem como pagar particular, e que o plano de saúde não cobre.

Mais detalhes sobre este assunto, neste post cujo link é este aqui

-- VOU PRESTAR O ENEM. COMO SOLICITAR ATENDIMENTO DIFERENCIADO POR CAUSA DAS MINHAS NECESSIDADES ESPECIAIS? 

R.: Eis a resposta dada por uma internauta no Facebook - e que gentilmente me deu autorização para reproduzir o conteúdo que ela escreveu:

''
Lá na inscrição eles vão perguntar seus dados e afins. Logo após a pergunta de segurança e a resposta secreta, será o momento que colocarmos o auxílio que necessitamos (Leia tudo antes de confirmar a inscrição). Ficou grande, mas eu especifiquei tudo direitinho.
Possui deficiência ou condição especial? SIM
Indique a(s) deficiência(s) ou a(s) condição(ões) especial(is): BAIXA VISÃO / OUTRA DEFICIÊNCIA OU CONDIÇÃO ESPECIAL (eu marco as duas)
Informe o tipo do CID (Classificação Internacional de Doença): CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde)
Informe o código: F810
Aí aparecerá: "Descrição: Transtorno específico de leitura" (precisa aparecer)
Marcar em: "Declaro que possuo a(s) deficiência(s) ou a condição(ões) especial(is) indicada(s)...."
Aí eles perguntarão se você possui necessidade de atendimento específico (lactante, guardadores de sábado e coisas que não tem muito a ver com a Síndrome de Irlen) e, na outra página, eles pedirão para que você indique o(s) auxílio(s) ou recurso(s) necessário(s). Eu marco "Prova ampliada" que é em Arial 18. Tem gente que marca "superampliada" que é em Arial 24. Tem lá ainda outros recursos como ledor (eles disponibilizam alguém pra ler a prova pra você) ou auxílio para transcrição no gabarito.
Marcar em: "Confirmo que a solicitação de recursos e/ou auxílios por mim realizada são..."
E é só isso. Aqui no Espirito Santo, o ENEM nos "agrupam" em escolar apenas de pessoas que necessitam do recurso. Eu sempre faço minha prova em salas de no máximo 15 ou 20 alunos e todos com provas ampliadas. Os fiscais costumam ser bem legais e pacientes, muitos colegas usam lupas de mesa ou afins. O ENEM não considera a Síndrome de Irlen como "vaga para deficiente" mas nos dá os recursos. Eu indico que vocês leiam todos os auxílios com calma porque pode-se marcar mais de um, aí vai de acordo com sua necessidade.
No ano de 2014 foi só isso. No ano de 2015 o INEP me mandou um e-mail pedindo o laudo que deveria ser anexado na página do participante. Eu anexei o relatório da Screener da Síndrome de Irlen que me diagnosticou (acho que todo mundo tem, aquele que consta: alcance de reconhecimento, tarefas visuais, lado da overlay, etc). O INEP sempre aceitou sem problemas (e eu não tenho nada do Hospital dos Olhos porque não uso o óculos). Não usei a Overlay na prova porque só a letra ampliada "resolveu" meu problema, então não sei especificar como seria.
No dia da prova (não tem nada disso na inscrição, é só na hora da prova mesmo) o INEP dá, junto ao gabarito, um papel que você marca o recurso de se usar 1 hora extra de prova. Então a gente entra como todo mundo, marca esse recurso (um papel em cada dia de prova) e tem uma hora depois do "término" da prova pra acabar a sua ainda, mas se acabar antes, pode sair (desde que não fique entre os três últimos e aquelas coisas que valem pra todo mundo). A redação não tem jeito, precisa escrever naquele papelzinho com aquelas linhas super pequenas."

--''NÃO SOU PACIENTE, MAS TENHO FORMAÇÃO ACADÊMICA NA ÁREA DE SAÚDE / EDUCAÇÃO. QUERO MUITO SER UM(A) SCREENER DA SÍNDROME DE IRLEN! ONDE POSSO BUSCAR CAPACITAÇÃO? 

R.: Periodicamente, a Fundação Hospital de Olhos oferece cursos de capacitação. Para saber quando haverá a próxima edição do curso, como e quando fazer inscrições, formas de pagamento, etc, veja tudo neste link

(Obs: Se você não deseja ser Screener, mas assim mesmo pretende fazer o curso para dar um ''turbo'' na sua formação enquanto professor (desde o nível básico até o universitário), ou então como pedagogo/orientador educacional,  recomendo que faça o curso, se possível!!! Vai ajudar muito para você saber lidar melhor com algum aluno que tenha Síndrome de Irlen! Sem contar que o certificado a ser adquirido no curso irá enriquecer seu currículo, irá turbinar seu Lattes... =) Já pensou nisso? ) 

--"Pessoas com Síndrome de Irlen SEVERA, que sofrem bastante com as implicações da Sindrome (incluindo a famigerada sobrecarga sensorial) e que não tenham atingido neuroadaptação completa após anos usando os filtros, terão direito a se enquadrar nos critérios para aposentadoria especial no INSS ?? -após um determinado número de anos de contribuição?"

Resposta: (dada pela equipe de Comunicação do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, e publicado com a autorização deles)

"É importante o uso constante de filtro espectral para melhora e até mesmo supressão dos sintomas e queixas, como sobrecarga sensorial. 
As pessoas com a Síndrome de Irlen (SI) não tem incapacidade, mas sim um  transtorno – não se enquadram, portanto, na categoria  de  DEFICIENTES VISUAIS  que se baseia em conceitos de acuidade visual  (tamanho  da letra que o indivíduo  consegue  enxergar de longe e para perto, usando óculos, lentes de contacto  ou nenhum grau, e que pode envolver conceitos de perda de visão de um olho ou ambos, visão subnormal, cegueira, etc). 
Alguns indivíduos com a SI podem apresentar deficiência visual ou outras deficiências, como uma comorbidade. Para a aposentadoria desses indivíduos deve ser avaliada a comorbidade, de acordo com cada caso. "  

Em outras palavras: a pessoa com Síndrome de Irlen é considerada ''pessoa com necessidades especiais" apenas para fins EDUCACIONAIS  (ou seja, em situações envolvendo escola, faculdade, cursos) - e não para fins legais ou trabalhistas, tais como pessoas cegas ou com baixa visão. 


E então? Este pequeno guia te ajudou? Tem alguma dúvida extra? Em caso positivo, ''bóra'' manifestar-se na seção de comentários... ou então, vamos lá para o facebook conversar mais! =) 

OBS: Para dúvidas mais específicas, que dependam de profissionais que trabalham com Síndrome de Irlen para responder, recomendo que entre em contato com o Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães ou com a Fundação Hospital de Olhos, para maiores esclarecimentos! 
Ou então entre em contato com um(a) Screener que consta na lista de credenciados mencionada neste texto - se assim preferir! 
Os links com os contatos deles já foram divulgados no texto acima. ;-) 

Caso queira ler todas as outras postagens sobre Síndrome de Irlen que já publiquei neste blog, clique aqui. São mais de 40 postagens sobre o tema!!! =) 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

DICAS PARA QUEM TEM DEFICIÊNCIA VISUAL E MORA SOZINHO(A)!!!

Por: Débora Rossini

Oooopa! O post de hoje é compartilhar umas dicas bem legais que vieram à minha cabeça, depois de ler esta reportagem que está neste link aqui. Ela fala dos prejuízos que podem ocorrer na vida da galera que não enxerga (ou que enxerga pouco), caso não tenham orientação adequada para fazer as atividades do dia-a-dia e de se portar socialmente, naquilo que se convencionou chamar de ''bons modos''.
E, como sabemos, existem um monte de gente com deficiência visual que mora sozinho(a)! Seja por opção (busca por independência), seja por necessidade (mudança de cidade para estudar ou trabalhar) ou simplesmente porque não tem familiares para morar com ele(a). E aí? Como fazer para se virar em atividades e tarefas de cuidado pessoal que, tradicionalmente, dependem da visão? Você, querido leitor com deficiência visual, com certeza vai querer ter aparência e modos aceitáveis pelo povo que enxerga, né? 
Afinal, cá pra nós, mesmo que alguém que não enxergue ande impecável igual modelo, já tá sujeito infelizmente a sofrer discriminação... imagine se andar ''mal-ajambrado'' e comportar '' de qualquer jeito'', né? :-/ Então, seguem -se estas superdicas para dar um ''gás'' no seu convívio social!
Vamos lá? 
Se você tem a ''potência visual'' ruim, mas não tem uma pessoa vidente para ficar constantemente checando se sua roupa, cabelo e sapatos estão ok, minhas sugestões são estas: 
1 - Adote cortes de cabelo que são mais fáceis de pentear e de cuidar (assim como ter mais facilidade para verificar, pelo tato, se o penteado está em ordem, hehe.) Às vezes, um corte pode ser legal e estar na moda, e ser fácil para uma pessoa de visão normal cuidar, mas para um DV (deficiente visual) pode ser mais cansativo. Claro que isso não significa que o corte tem de ser ''sem graça e cafona'', hehehe! Mas tente conciliar o prático/confortável com seu gosto pessoal. ;-)
2 - Quanto às espinhas no rosto, para a galerinha deficiente visual que é mais jovem e sofre com elas: pelo tato, fica fácil de percebê-las e de passar o creme/loção antiacne, certo? Mas anote aí essa dica esperta: use a mão CONTRÁRIA à que você usa para ler em Braille. Explico o porquê: como esses produtos antiacne foram feitos para ressecar a pele (por motivo óbvio) eles trazem o efeito colateral de ressecar a pele das mãos, sobretudo a ponta dos dedos. E mão com pele ressecada dificulta um pouquinho na hora de ler em Braille (é como se um vidente ficasse com seus óculos meio embaçados ao ler um texto com os olhos, hehe). Por exemplo, se você lê Braille com a mão direita, reserve a ESQUERDA para passar seus produtos antiacne no rosto. E o contrário vale para quem for canhoto.
3 - Se você - que é cego ou tem baixa visão- , trabalha e usa uniformes, utilize este ponto a seu favor no dia-a-dia!!! Pelo menos, não tem de gastar tanto ''neurônio'' se perguntando se aquelas roupas estão combinando ou não, hehe. Apenas se lembre de ter uma pessoa de confiança, para, dentro de algumas semanas ou meses, checar se as peças de roupa estão ficando velhas e se é hora de substituí-las. O mesmo vale se você vai para a escola/faculdade e usa uniforme (tem faculdades que vendem a camisa de uniforme, de uso facultativo, que pode ser combinada com calças e sapatos do seu gosto.) Já abrevia um trabalho e tanto, né??
4 - Para guardar suas roupas de sair de casa, separe-as por categoria (social, informal, esportiva, etc) , por cor (aí vai ter de pedir a ajuda de um vidente, hehe), etiquetando tais informações em Braille ou letras grandes, para ficar fácil de localizar quando estiver sozinho(a). E deixe seu guarda-roupa sempre organizado, com tudo no mesmo lugar. A memorização das posições das roupas lhe ajudará um tantão!!!
5- SAPATOS: Importante saber o tipo de sapato adequado para cada ocasião , mas lembre-se (SOBRETUDO SE FOR MULHER!) que um sapato considerado ''fashion e bonito'', dependendo do modelo pode ser perigoso para você que tem deficiência visual. 
EXPLICO O PORQUÊ: sabe-se que há peculiaridades características da marcha (modo de andar) de uma pessoa com deficiência visual, que são diferentes do jeito de pessoas que enxergam. Do jeito que essas ruas estão esburacadas por aí, essas calçadas estão uma porcaria e a acessibilidade muitas vezes dá ''tchau'' pro cidadão, minha dica é escolher calçados que deem estabilidade ao andar e ao mesmo tempo proteja os pés. 
Suponhamos que você é uma mulher cega que queira usar sandálias: principalmente se não tiver muita prática em orientação e mobilidade, sugiro que deixe estes calçados para usar preferencialmente quando estiver acompanhada por alguém vidente -e mesmo assim se a caminhada a pé for curta (sabe aqueles trajetos nos quais 99% deles são de carro, ônibus, etc? Pois é.) Senão, o risco de chutar algo que a possa machucar, ou pisar em algo nojento que vá grudar em seus pés (éca!!!) pode ser significativo.
Caso vá andar sozinha, sugiro usar sapatos fechados, confortáveis. Tem muito sapato confortável e bonito por aí, mulherada, que vai te deixar linda!!! Acredite!!!
Outra recomendação que não posso deixar passar ''batida'' pra galera cega feminina é a questão dos SAPATOS DE SALTO. Gente, já vi mulheres cegas andando sozinhas de salto, e... pensei... pra quem enxerga já tem de ter cuidado dobrado (maior risco de tombo, queda, torcer o pé, etc),imagine para quem não enxerga (ou enxerga pouco) e, consequentemente, tá mais vulnerável aos riscos da má-conservação das ruas e calçadas??? Dica: opte por saltos mais baixos e grossos, e dê preferência a situações em que estiver acompanhada com um vidente e que as caminhadas sejam curtas.
Obs: Não tô querendo causar polêmica na ala feminina que tem problemas de visão, no que se refere à moda & estilo. Não fiquem bravas comigo, ok? A ideia é apenas diminuir os perrengues que toda pessoa com deficiência visual enfrenta, valorizando os quesitos conforto + praticidade+ segurança, sobretudo para quem mora sozinho, tem de sair sozinho por aí, e tem de fazer muita coisa sem a ajuda de um vidente, tá??? ;-)
6- Barba (para homens)... ih, aí me apertou, não manjo disso (kkkk). Mas conheço cegos que moram sozinhos, e que fazem a barba muito bem. Com técnicas de orientação espacial do próprio rosto, e um tato apurado, é possível ser independente na hora de barbear. Mas se sua intenção é ser um cara barbudão (existe gente que gosta desse estilo), aí não precisa de se preocupar com isto!
7- Maquiagem (para mulheres): Também não manjo de maquiagem para deficientes visuais, logo não posso dar as MINHAS dicas. Mas como sei que na internet tem gente que manja, então... transfiro a palavra a elas, hehehe! A blogueira Lúcia Fiorio, que tem deficiência visual, entende do assunto e dá dicas no blog dela, intitulado ''Beleza na Ponta dos Dedos'' . Outra internauta que entende disso é a Letícia Capato, autora da fanpage ''Inspirações de Uma Deficiente Visual'', no Facebook.

AGORA É COM VOCÊS, LEITORES - SOBRETUDO AQUELES QUE POSSUEM DEFICIÊNCIA VISUAL:
O que acharam das dicas dadas acima?
Têm alguma sugestão adicional, que não foi mencionada?
Ou, pelo contrário, discordam de algo e têm alguma bronca a dar? (Hehehe!!)
Contem aí na seção de comentários!!! Tô aguardando, galera!!! :-D