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(Crédito da foto: www.santoscity.com.br)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Projeções de 'data-show' e aluno com Síndrome de Irlen: como conciliar?

Por: Débora Rossini

Ooooooopaaaa!!!! :-) Finalmente tô cumprindo com o que venho prometendo há alguns posts atrás!!!!! Trata-se do...

MANUAL DE "SOBREVIVÊNCIA" AO 'DATA-SHOW' EM SALA DE AULA!!!!! :-D

É fato, meu caro leitor com Síndrome de Irlen: boa parte dos professores de hoje em dia - especialmente os universitários- têm uma incrível "história de amor" com o projetor de data-show!!!! (Risos.) Eles fazem de tuuuuuudo para não abrir mão do dito-cujo de jeito nenhum... E olha o que eles costumam alegar, em conversas informais:

"-- Eles agilizam bastante o andamento das aulas, pois reduz ou até elimina a necessidade de ficar escrevendo na lousa. "

"-- Isso facilita minha preparação de aulas, pois já tenho o material pronto; e se for necessário atualizar ou corrigir algo, faço rapidinho e facilmente as alterações no computador. Afinal, tenho inúmeras outras tarefas para fazer."

"-- Acho mais prático pra dar aula."

"-- (etc, etc, etc, blá, blá, blá...) "

Ok, entendo perfeitamente os motivos que levam os professores a gostarem imensamente dessa tecnologia, em detrimento do quadro-negro! E ela, de fato, facilita bastante o trabalho dos professores ao ministrarem suas aulas. Mas... e se tiver na sala algum aluno com fotofobia (hipersensibilidade ocular à luz)? Até onde eu e vários professores sabemos, não tem nenhum recurso no projetor que diminua a intensidade luminosa... e mesmo que houvesse, ele iria prejudicar os colegas sem fotofobia, já que estes não iriam enxergar o material mostrado, por ficar "escuro" demais para eles! (No caso de um portador de Síndrome de Irlen, é como se ele "enxergasse o ambiente com mais luz do que ele realmente tem", digamos...)

Então, este post foi escrito com a finalidade de dar sugestões diversas, de forma a conciliar o desejo do professor em usar o projetor de slides com as necessidades educacionais de um aluno com fotofobia - particularmente os que têm Síndrome de Irlen.

Observação importante: os portadores de Síndrome de Irlen possuem fotofobia - mas nem toda pessoa com fotofobia tem SI, ok? (Existem diversos distúrbios de visão e doenças oculares que têm a fotofobia como sintoma; e a SI é UM deles.) Este post está voltado para os que têm fotofobia devido à Síndrome de Irlen, devido às particularidades do referido distúrbio visual.

As dicas que se seguem são voltadas para estudantes que possuem sensibilidade ocular excessiva à luz - especialmente Síndrome de Irlen (SI)- e que, no dia-a-dia acadêmico, veem-se forçados a suportar aquele "farolzão gigantesco" (oficialmente chamado de "data-show", "retroprojetor" ou qualquer dispositivo parecido, rerrerré!!!) , repleto de matérias para seguir na aula e copiar... e do qual os professores geralmente não gostam de abrir mão ao dar suas aulas!!!!!! (Nota: as dicas são direcionadas para estudantes jovens e adultos, mas, se você é pai/mãe/professor de alguma criança ou adolescente que se enquadre nas situações descritas neste post, esteja à vontade para adaptar as dicas de acordo com a idade, atividades e quadro oftalmológico de seu filho ou aluno...)


E essas dicas foram formuladas com base no quadro clínico específico, real, de uma pessoa com Síndrome de Irlen, e das estratégias que essa pessoa adota para "contornar" sua situação em sala de aula, na universidade. É bom lembrar que cada caso de SI é um caso - e, por isso, talvez alguns procedimentos que deem certo para essa determinada pessoa não deem certo para outra pessoa com SI que esteja lendo este post. Mas, no geral, acredito que tais dicas possam ajudar muita gente com SI - uma vez que, partindo do princípio que o que incomoda o portador desse distúrbio, ao visualizar slides, é basicamente o excesso de luminosidade, essas dicas ajudam a "contornar" tal excesso.

Podem haver situações em que, mesmo com os óculos com os chamados "filtros espectrais", alguém com SI pode sentir desconforto em relação à luz intensa, por motivos diversos (neuro-adaptação não-concluída, óculos "fracos" que ainda não foram trocados, "desbotamento" da coloração dos filtros espectrais, etc.) Então... se você é estudante e possui SI, vamos lá????

1-- Consegue sentar longe da projeção do data-show? Ou seja, você consegue se sentar mais "atrás", na sala de aula, para acompanhar o que é apresentado? Em caso positivo, use isto a seu favor, já que o "facho" luminoso não vai estar tãããão perto da sua cara assim. Em caso negativo, pule essa dica e leia as próximas; afinal, tem gente que é míope, tem gente que tem falta de concentração (que, aliás, é um sintoma da SI que tem intensidade variável de pessoa para pessoa), tem gente que não tolera a galera do fundão conversando na aula... e que, por pelo menos um desses fatores, se sente melhor sentando lá na frente... E tem gente, principalmente, que, devido à intensidade com que a SI se manifesta, tem a recomendação médica de sentar na frente e na posição centralizada na sala - devido ao campo visual periférico ser comprometido. Ou seja, o oposto do que essa dica queria mostrar... ;-)

2-- No primeiro dia de aula de cada disciplina, converse com cada um de seus professores e conte o problema para eles (se necessário, mostre-lhes o relatório médico comprobatório de sua condição), de forma a facilitar as adaptações no andamento das aulas e garantir que você consiga "pegar" a matéria toda direitinho! E nada de ficar com vergonha de esclarecer o problema, viu???? ;-) Tem gente que se sente inibida ao fazer isso, mas... cá pra nós: "vergonha não é assumir uma determinada condição clínica no ambiente escolar; vergonha, na verdade, é exibir um boletim repleeeeeeeto de notas baixas, a despeito de você ser inteligente e capaz!" (Palavras bem-humoradas de estudante que já precisou de adaptações, por ter necessidades educacionais especiais).
Então, corra atrás de seus direitos como estudante! A lei da Educação Inclusiva está aí, a todo vapor; logo, faça-a valer!!!! :-) Rerrerré!!!!

3--Peça a seus professores passarem para você com antecedência uma cópia dos slides, alguns dias ou horas antes da aula. Assim, você pode visualizá-los nas condições mais adequadas a você - seja através de um computador adaptado (isto é, com as configurações de baixa luminosidade e de contraste que melhor lhe atendam, com ou sem "overlay" colado sobre a tela), seja através de impressão do conteúdo em papel, na cor que melhor lhe convier.
Obs: é raro, mas tem professor que não gosta de ficar passando cópia de slide para aluno, com receio de uso indevido. Se for esse o caso, explique a ele (com jeitinho, claro!!!) que é uma NECESSIDADE que você possui, e que a lei da educação inclusiva está aí a todo vapor! Sugira inclusive a elaboração de um termo de compromisso a ser assinado por você e o professor em questão- de forma a garantir a seu professor que você não vai usar o material de forma indevida... ou então deixe que ele lhe sugira uma outra forma de ter acesso a essas notas de aula, sem deixar você prejudicado em relação a seus colegas! ;-)

4-- Procure treinar sua audição para aprimorar ao máximo sua capacidade de aprender ouvindo, ali durante a aula, sem ficar dependente das imagens ali mostradas no projetor de slides. Aprenda a criar o máximo de "modelos mentais" baseados em descrições verbais - e não tenha vergonha de fazer perguntas ao professor, quando ele ficar apontando a projeção e dizendo: "'Aqui' tem esse gráfico, 'aqui' tem esse ponto..." A essa altura, o professor já deve estar ciente de sua hipersensibilidade à luz- e, portanto, deve ter consciência de que você não pode ficar "firmando" e "forçando" os olhos naquela superfície altamente luminosa... e, portanto, cabe a ele descrever verbalmente, com mais detalhes, "aonde" ele está apontando e "o quê" ele está apontando. (Tal dica também vale quando se trata de alunos cegos ou de visão subnormal, por razões fáceis de entender.)
Procure anotar o máximo de informações que você captar com os ouvidos... e deixe espaços em branco em sua folha de anotações, caso sinta que há partes do conteúdo que parecem estar "fragmentadas". Em um momento posterior à aula, quando você tiver acesso à totalidade do conteúdo exposto, vá completando as anotações. (Funciona como uma forma interessante de estudar!)

5-- Se possível, peça ajuda a algum colega, para obter as anotações. Vale copiar do caderno dele ou pedir emprestado para tirar xérox... só não vale escolher como "ajudante" aquele colega que você SABE que não copia nada na aula e que só fica conversando durante as explicações... rá, rá, rá!!!

As dicas a seguir são direcionadas a professores que tenham alunos com o problema visual descrito no início desta postagem. (Mas se você é estudante, continue lendo assim mesmo! Vai facilitar bastante na hora de trocar ideias com seus professores!)

6- Converse com seu aluno, para ver quais são suas necessidades, a fim de conseguir fazer as adaptações que melhor atendam a ele. Sendo a fotofobia dele devida à Síndrome de Irlen, então, fique mais atento às próximas sugestões abaixo!;-)

7- Pergunte a seu aluno qual é a cor de texto e de fundo que lhe parece ser menos incômoda ao ler slides em projeções - tomando cuidado, claro, para que a cor resultante não seja desagradável e/ou dificulte a visualização dos slides para o restante da turma!!! ;-) Isto é, se seu aluno conseguir ler as projeções desde que tenham determinadas cores... (tem aluno que não vai sentir-se bem com NENHUMA, devido à fotofobia intensa!)

8- Sempre que for possível, use o quadro-negro em alguns momentos da aula, para facilitar ao aluno a visualização de certos desenhos, esquemas, tabelas ou grafias de nomes e termos técnicos. (Obs: o quadro-negro tradicional, de giz, mostra-se melhor que o quadro-branco, de pincel marcador -- ja´que o branco, de superfície brilhante, reflete a luz.
Entretanto, em certas salas de aula - como as de aula prática de Computação- não tem como escapar do quadro-branco, visto que a instalação do quadro de giz tradicional pode danificar as máquinas do recinto, por causa do pó de giz... então o jeito é o aluno tentar se adaptar por meio de outras estratégias em sala de aula, adotadas pelo professor e pelo próprio aluno... ;-)

9-- Evite fazer a projeção dos slides diretamente sobre a superfície de uma lousa branca - pois parecerá que a luz da projeção, tão incômoda para o portador de Síndrome de Irlen, vai ficar "mais intensa" se estiver sobre tal superfície!!! - Isto porque o quadro branco é brilhante e reflete luz! Sempre que possível, prefira projetar sobre um anteparo fosco (várias salas de aula tem esse anteparo, próprio para fazer tais projeções). Em caso de impossibilidade de projetar em uma superfície fosca, tente elaborar os slides com fundo mais escuro (ex: preto com letras brancas). Caso contrário, seu aluno poderá ter um desconforto "daqueeeeles", com dor intensa nos olhos e uma dor de cabeça que custa a dar trégua! :-O

Espero ter ajudado "uma pá" de estudantes com SI, que até então ficavam "estressadões" diante de um data-show... rerrerré! Se você faz parte da galera com SI e tem uma dica adicional que possa somar-se às que já foram dadas, "mande ver" aí, na seção destinada a comentários!!!!! :-D


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